Atualidade

09/07/2007 09:18

Conversa com os leitores

Na tentativa de compreender a decisão sobre a Reforma Política, o leitor que se identifica como Blogueiro avalia que “a presente reforma política é o divisor de águas histórico da política brasileira e revela o grau de conscientização e o amadurecimento, ou não, da falida filosofia política reinante”. E identifica duas correntes distintas: “A corrente que defende um vies de mercantilização do uso da política versus a corrente que defende a socialização da política brasileira”. É mais ou menos isso mesmo, Bloqueiro. Como disse várias vezes aqui no blog, a aprovação dos pilares da reforma política – voto em lista, fidelidade partidária e financiamento público – era fundamental para corrigir as atuais distorções de nosso sistema eleitoral e partidário que tantos problemas têm causado ao nosso país.

Zé Luiz acrescenta que “não é a insensatez que prevalece, mas a tradição. Nossa tradição é a do compromisso pessoal, sem qualquer vinculação partidária. A maioria dos eleitores brasileiros não vota em partidos, mas em candidatos. E os nossos deputados/eleitores/candidatos não deixarão passar a idéia de qualquer mudança desta tradição. Bem, a não ser o financiamento público, para complementar o privado. Nem adianta esperar pelo segundo semestre. Reforma Política não passará. Aliás, nenhuma reforma passará”. Meu caro Zé Luiz, você tem razão na primeira parte de seu comentário. O atual sistema eleitoral só beneficiar as candidaturas individuais, sem compromissos partidários e, o que é pior, sem compromisso com os eleitores. Quanto à sua previsão, espero que esteja enganado e a gente consiga mobilizar os parlamentares para aprovar, no segundo semestre, a urgente e necessária reforma política.

Já o leitor Vladimir diz que “não dá para dizer que foi equivocada a decisão dos deputados.O que dá para dizer é que a questão não foi suficientemente debatida e, menos ainda, não procurou-se o apoio da sociedade que, durante todo o processo, ficou a margem desta discussão.O próprio PT não mostrou-se coeso.É preciso que mudanças profundas sejam discutidas de acordo com a sua importância para,no afogadilho,não sermos atropelados pela dura realidade de nossa própria composição”. Você tem razão Vladimir. O PT não foi para a rua, não mobilizou a sociedade para defender a reforma política e se dividiu. É verdade que no PT o tema foi bastante discutido, mas só nas direções, na base o assunto foi pouco, ou quase nada, debatido. É preciso ter ousadia de pedir um plebiscito sobre a reforma política. Ou teremos que ir para uma Constituinte.

Outro assunto que mereceu muitos comentários dos leitores foi a questão dos juros e do câmbio. Ronan Wittee afirma que a imprensa confunde a verdade na questão do câmbio e acrescenta que "o Real não está sobre-valorizado frente ao dólar, o dólar é que não se aguenta nas pernas diante de qualquer moeda do Mundo". Você tem razão, Ronan, o dólar tem se depreciado em quase todo o mundo, mas os juros altos no Brasil estimulam a entrada de dólares, fora o superávit comercial de mais de US$ 40 bilhões e os investimentos diretos estrangeiros de mais de US$ 20 bilhões. São quase US$ 100 bilhões no ano entrando no Brasil. Precisamos de políticas ativas para aumentar nossa produtividade e competitividade, para que nossa indústria não sofra ou desapareça..

Hélio apresenta a seguinte solução: “Nossas autoridades políticas precisam aprender que o capital deve seguir sua lógica natural: expandir via produção, bem diferente da especulação que só gera ilusão. Quando a taxa de juro nominal chegar próxima da casa dos 6%, os especuladores serão obrigados a investir na produção se quiserem ganhar alguma coisa. Finalmente, todos ganharão: os empresários, os trabalhadores, os governos, os comerciantes etc.”. O caminho é esse mesmo, Hélio. Precisamos fortalecer e valorizar cada vez mais a atividade produtiva, em detrimento da atividade financeira e especulativa, que terá de se adaptar à essa nova realidade e, na verdade, já está se preparando para financiar e ganhar o investimento produtivo e o consumo. Fortalecer a nossa indústria, incentivar investimentos em inovação, aumentar a nossa competitividade é o melhor caminho para o crescimento da nossa economia e a geração de novos empregos. O país não pode mais pagar quase US$ 200 bilhões de juros da dívida interna ao ano. Isso é transferir para o rentismo uma parcela de nosso PIB que deveria ser investido e consumido, com o crescimento da economia.

E Afonso aponta a necessidade de um conjunto de ações, inclusive outras reformas: “A autonomia legal do BC não seria uma ótima? E que tal as reformas trabalhista, sindical e tributária? E a política (de verdade, com voto distrital puro, sem enganação de listas e sem financiamento público? E uma nova legislação processual civil e fiscal para dar fim aos benefícios infindáveis ao réu-devedor-executado e seus inúmeros recursos procrastinatórios? Aí sim o spread cairá, pode ter certeza!”. Afonso, não concordo com autonomia legal do BC. Ele já tem autonomia operacional. Na prática é autônomo. E considero um erro as reformas trabalhista e previdenciária nesse mandato. Mas se é para fazê-las temos que respeitar os direitos dos trabalhadores. Prefiro medidas como as tomadas no Estatuto da Micro e Pequena empresa, no SuperSimples, ou a desoneração das folhas de pagamento via cobrança da contribuição previdenciária pelo faturamento da empresas. Flexibilizar direitos e normas trabalhistas, nem pensar. O custo da mão de obra no Brasil é baixo. Nossos problemas são os impostos, os custos financeiros e da infra estrutura. Já escrevi sobre isso várias vezes aqui no blog.

Finalmente, Raí também relembra o projeto de lei, enviado à “Comissão de Finanças da Câmara, há 4 anos,que cria um "cadastro positivo" onde seria facilitada a concessão de crédito mais fácil e mais barato àquelas pessoas e empresas que tenham um "score"positivo e que não ofereçam tanto risco de inadimplência” E lamenta que o projeto está “mofando nas gavetas,enquanto os nossos parlamentares,estão investigando a relação extra-conjugal e os pagamentos de pensão alimentícia do presidente do Senado.Quando será que os nossos constituintes "sentarão" para trabalhar em prol do país,e da população brasileira,destravando as amarras que impedem o nosso crescimento ?” Raí, não é a crise com as denúncias contra o senador Renan Calheiros que pára as votações. O Congresso tem votado leis importantes e emendas à Constituição. Quem usa esse discurso é a oposição. Que quer fazer tudo para tentar paralisar o Congresso e o governo. Mas, felizmente, não tem conseguido.

Por hoje é isso. Até a semana que vem.
enviada por Zé Dirceu






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